Criança buscando colo da mãe enquanto o pai participa do momento com acolhimento, representando o vínculo de apego na infância.

Meu filho só quer a mãe: isso é normal?

June 17, 20263 min read

“É muito comum que, em determinadas fases do desenvolvimento, a criança demonstre preferência pela mãe. Isso não significa rejeição ao pai ou aos outros cuidadores. Na maioria das vezes, é uma manifestação natural do vínculo de apego e faz parte do amadurecimento emocional infantil.”

"Mamãe!", "Só a mamãe!", "Eu quero a mamãe!"

Essas frases fazem parte da rotina de muitas famílias e costumam despertar sentimentos diferentes. Enquanto algumas mães se sentem sobrecarregadas, muitos pais ficam frustrados ao perceber que seus filhos parecem preferir apenas a mãe.

Mas será que isso é realmente um problema?

Na maioria dos casos, não.

Essa preferência costuma estar relacionada ao desenvolvimento emocional da criança e ao vínculo de apego que ela constrói com suas principais figuras de cuidado.


Por que a criança prefere a mãe em algumas fases?

Nos primeiros anos de vida, o cérebro infantil busca segurança.

A mãe — ou a principal figura de cuidado — costuma representar esse porto seguro, principalmente porque esteve presente desde a gestação e, muitas vezes, é quem responde com maior frequência às necessidades do bebê.

Essa preferência pode se tornar mais evidente em momentos de:

  • sono;

  • doença;

  • cansaço;

  • medo;

  • mudanças importantes na rotina.

Nessas situações, a criança procura quem lhe transmite maior sensação de proteção.


Isso significa que o pai foi rejeitado?

Não.

O vínculo afetivo não funciona como uma competição.

A criança é perfeitamente capaz de construir relações seguras com diferentes cuidadores.

O que acontece é que, em determinadas fases, ela pode buscar mais intensamente uma pessoa específica para regular suas emoções.

Essa preferência costuma mudar naturalmente ao longo do desenvolvimento.


Como incluir outros cuidadores de forma saudável

A construção do vínculo acontece através da convivência.

Algumas atitudes ajudam bastante nesse processo.

Crie momentos exclusivos

O pai ou outro cuidador pode participar de atividades prazerosas, como brincar, passear, dar banho ou contar histórias antes de dormir.

O importante é criar experiências positivas.

Respeite o tempo da criança

Forçar a separação ou insistir quando a criança está muito angustiada pode aumentar a insegurança.

O vínculo é construído gradualmente.

A mãe também pode incentivar

Sempre que possível, a mãe pode transmitir confiança dizendo, por exemplo:

"Hoje o papai vai cuidar de você. Eu volto daqui a pouco."

Essa atitude mostra que ela também confia naquele cuidador.


Quando essa preferência merece atenção?

Embora seja esperada em muitas fases, é importante conversar com o pediatra quando a criança:

  • rejeita de forma intensa qualquer outro cuidador por longos períodos;

  • apresenta sofrimento extremo em pequenas separações;

  • deixa de participar de atividades por não conseguir ficar sem a mãe;

  • demonstra regressões importantes no comportamento.

Nesses casos, uma avaliação ajuda a entender o contexto e orientar a família.


O vínculo se fortalece com presença, não com disputa

A relação entre pais e filhos é construída diariamente.

Não existe um "vencedor" na disputa pelo carinho da criança.

Quanto mais ela percebe que todos os adultos trabalham juntos, se respeitam e oferecem segurança, mais confiante ela se sente para criar vínculos saudáveis com cada um deles.


Conclusão

Se seu filho está vivendo uma fase em que só quer a mãe, respire.

Na maioria das vezes, esse comportamento faz parte do desenvolvimento e tende a mudar conforme a criança amadurece.

O mais importante é que todos os cuidadores construam relações de confiança, respeitando o tempo da criança e oferecendo presença, acolhimento e segurança.

Assim, ela aprende que pode encontrar proteção e amor em diferentes pessoas, fortalecendo sua autonomia e seu desenvolvimento emocional.

Dica da Dra. Flávia Serralha:

"O apego seguro não afasta a criança dos outros vínculos. Pelo contrário: quando ela se sente protegida, ganha confiança para explorar o mundo e construir novas relações."

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Dra. Flávia Serralha

Dra. Flávia Serralha

Dra. Flávia Serralha é pediatra em Uberlândia, especialista em desenvolvimento infantil e prevenção de traumas na infância. Atua com uma abordagem humanizada e baseada em evidências, ajudando famílias a compreender o comportamento e as necessidades emocionais das crianças. No blog, compartilha orientações práticas sobre sono, amamentação, alimentação, saúde emocional e parentalidade consciente, sempre com ciência, acolhimento e prevenção.

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