
Meu filho só quer a mãe: isso é normal?
“É muito comum que, em determinadas fases do desenvolvimento, a criança demonstre preferência pela mãe. Isso não significa rejeição ao pai ou aos outros cuidadores. Na maioria das vezes, é uma manifestação natural do vínculo de apego e faz parte do amadurecimento emocional infantil.”
"Mamãe!", "Só a mamãe!", "Eu quero a mamãe!"
Essas frases fazem parte da rotina de muitas famílias e costumam despertar sentimentos diferentes. Enquanto algumas mães se sentem sobrecarregadas, muitos pais ficam frustrados ao perceber que seus filhos parecem preferir apenas a mãe.
Mas será que isso é realmente um problema?
Na maioria dos casos, não.
Essa preferência costuma estar relacionada ao desenvolvimento emocional da criança e ao vínculo de apego que ela constrói com suas principais figuras de cuidado.
Por que a criança prefere a mãe em algumas fases?
Nos primeiros anos de vida, o cérebro infantil busca segurança.
A mãe — ou a principal figura de cuidado — costuma representar esse porto seguro, principalmente porque esteve presente desde a gestação e, muitas vezes, é quem responde com maior frequência às necessidades do bebê.
Essa preferência pode se tornar mais evidente em momentos de:
sono;
doença;
cansaço;
medo;
mudanças importantes na rotina.
Nessas situações, a criança procura quem lhe transmite maior sensação de proteção.
Isso significa que o pai foi rejeitado?
Não.
O vínculo afetivo não funciona como uma competição.
A criança é perfeitamente capaz de construir relações seguras com diferentes cuidadores.
O que acontece é que, em determinadas fases, ela pode buscar mais intensamente uma pessoa específica para regular suas emoções.
Essa preferência costuma mudar naturalmente ao longo do desenvolvimento.
Como incluir outros cuidadores de forma saudável
A construção do vínculo acontece através da convivência.
Algumas atitudes ajudam bastante nesse processo.
Crie momentos exclusivos
O pai ou outro cuidador pode participar de atividades prazerosas, como brincar, passear, dar banho ou contar histórias antes de dormir.
O importante é criar experiências positivas.
Respeite o tempo da criança
Forçar a separação ou insistir quando a criança está muito angustiada pode aumentar a insegurança.
O vínculo é construído gradualmente.
A mãe também pode incentivar
Sempre que possível, a mãe pode transmitir confiança dizendo, por exemplo:
"Hoje o papai vai cuidar de você. Eu volto daqui a pouco."
Essa atitude mostra que ela também confia naquele cuidador.
Quando essa preferência merece atenção?
Embora seja esperada em muitas fases, é importante conversar com o pediatra quando a criança:
rejeita de forma intensa qualquer outro cuidador por longos períodos;
apresenta sofrimento extremo em pequenas separações;
deixa de participar de atividades por não conseguir ficar sem a mãe;
demonstra regressões importantes no comportamento.
Nesses casos, uma avaliação ajuda a entender o contexto e orientar a família.
O vínculo se fortalece com presença, não com disputa
A relação entre pais e filhos é construída diariamente.
Não existe um "vencedor" na disputa pelo carinho da criança.
Quanto mais ela percebe que todos os adultos trabalham juntos, se respeitam e oferecem segurança, mais confiante ela se sente para criar vínculos saudáveis com cada um deles.
Conclusão
Se seu filho está vivendo uma fase em que só quer a mãe, respire.
Na maioria das vezes, esse comportamento faz parte do desenvolvimento e tende a mudar conforme a criança amadurece.
O mais importante é que todos os cuidadores construam relações de confiança, respeitando o tempo da criança e oferecendo presença, acolhimento e segurança.
Assim, ela aprende que pode encontrar proteção e amor em diferentes pessoas, fortalecendo sua autonomia e seu desenvolvimento emocional.
✨ Dica da Dra. Flávia Serralha:
"O apego seguro não afasta a criança dos outros vínculos. Pelo contrário: quando ela se sente protegida, ganha confiança para explorar o mundo e construir novas relações."
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